Descrição
O que permanece quando uma liderança política deixa de ocupar o centro da vida pública? Um nome, uma memória, uma organização partidária ou os vínculos que uma sociedade construiu em torno de sua trajetória?
Em O Lulismo e o Inconsciente das Massas, Adriano Moraes investiga uma das questões mais complexas da política brasileira contemporânea: a relação entre liderança, identificação coletiva e continuidade histórica. A partir do fenômeno do lulismo, o autor examina como uma figura pública pode ultrapassar os limites de sua atuação institucional e tornar-se referência para experiências sociais, expectativas de reconhecimento e memórias compartilhadas.
Em diálogo com Sigmund Freud, André Singer e a tradição sociológica, a obra aproxima a análise das estruturas sociais da investigação dos afetos e dos processos de identificação que participam da vida política. A Psicanálise do Axé amplia essa reflexão ao incorporar questões de ancestralidade, pertencimento, memória e transmissão entre gerações, reconhecendo a especificidade dos saberes afro-brasileiros.
Longe de reduzir escolhas eleitorais a manifestações inconscientes ou de tratar os apoiadores de uma liderança como um grupo homogêneo, o livro propõe uma leitura que considera as condições materiais, as disputas institucionais e a dimensão subjetiva da experiência coletiva.
Mais do que perguntar quem poderá suceder Lula, Adriano Moraes investiga o que uma sociedade transmite quando transforma uma liderança em parte de sua própria história — e o que acontece quando essa herança precisa encontrar novos caminhos.
Porque a continuidade de uma identidade política não depende apenas de quem assume o poder, mas também dos sentidos que as gerações seguintes atribuem ao passado e das possibilidades que conseguem construir no presente.
316 páginas
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